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Tentando retomar o blog …

São Paulo vista do COPAN

Março de 2009.  Já presentei varias mazelas da cidade e até cheguei a ver algumas sendo corrigidas. Mas não como gostaria. Desanimei e parei. Alguns perguntavam sobre o blog e eu respondia que desanimara. Bom, tenho visto tanto coisa pela cidade que pensei em recomeçar. Vou recuperar os posts que anteriores e vou fazer uma nova tentativa. Pelo menos consegui fazer uma nova panoramica de São Paulo, vista do COPAN. Vamos ver até onde consigo ir.

Torcendo por um Feliz 2006…

Torcendo por um Feliz 2006...

Quando comecei o blog, pensando em contribuir para melhorar São Paulo, estava otimista. Mas ao começar a escrever sobre mazelas paulistanas fui perdendo o otimismo. Aí comentaram que eu deveria escrever sobre coisas boas e eu até que acabei achando algo para elogiar. Decidi que o próximo assunto também seria elogioso. Bem que procurei nos arredores algo que merecesse. Tristeza. Muitos acreditam que basta fazer a obrigação para já merecer elogios. Obrigações merecem atenção quando não são cumpridas. Mais que obrigação, isto sim merece todo apoio e elogios.

Pensei, próximo ano serei mais otimista. A primeira coisa que lembrei é que será um ano de eleições. Preparemo-nos para as “baixarias”.

Pensei no pífio crescimento deste país, desanimei.

Espero que comece a crescer como necessário, e não só para que a eleição seja vencida.

Pensei na maioria das torcidas e partidos deste país, que torcem negativamente, que torcem para que o adversário perca, para que quem está bem se “ferre”.

Vamos torcer positivamente, torcer para ganhar, torcer para avançar, torcer para ficar melhor de vida, torcer por melhores trabalhos, torcer por mais clientes, torcer para que os clientes cresçam…

Pensei, só torcer não vai resolver a situação, será necessário trabalhar, e muito. Vamos torcer para que se comece a criar trabalho e não só empregos.

Pensei na falta de educação que foi objeto dos comentários anteriores.

Vamos torcer para “eles” criem coragem, e resolvam trabalhar para por o sistema educacional básico em ordem. A falta de educação, para mim, é a fonte de todos os problemas. Vamos colocar nossas crianças na escola o dia inteiro. Vamos acabar com o emprego de professores e começar com o trabalho para professores. Levaremos uns vinte anos para por ordem na casa, afinal a deixamos chegar nesta situação. Se começarmos agora nossos netos poderão ter uma vida como gostaríamos e nós teremos o prazer de ver isso.

Vou ser otimista e desejar que no próximo ano, eu encontre pela rua somente atos merecedores de elogios.

Vamos torcer para que 2006 seja um ano pleno de coisas boas para todos…

Estética – Nem tudo está perdido…

Nem tudo está perdido...

Não pensem que eu só vejo as mazelas, vejo também tentativas de tornar o dia a dia mais ameno, mais agradável.
Uma destas tentativas foi se espalhando devagar e hoje existe na frente de vários prédios da redondeza.
Imagino como começou.
Algum desses nossos porteiros, enclausurado dentro da sua guarita, passava o dia olhando o tronco da sibipiruna plantada bem a sua frente, quando alguma moradora jogou fora a orquídea já sem flor que ganhara do namorado (não sabia se ia poder cuidar do namorado até a próxima primavera quanto mais da flôr). O porteiro que já havia visto orquídeas agarradas em árvores pensou: vou amarrá-la no tronco da minha sibipiruna, vou aguando com cuidado e quem sabe ela volta a florir. E floriu. Algum morador mais ligado percebeu e ao invés de jogar fora a sua, foi oferecer ao porteiro, que não teve dúvidas em aceitar e foi logo amarrando na sua sibipiruna. Na longa viagem de volta para o Grajaú comentou com Severino, colega de profissão. O Severino gostou da idéia e assim apareceu mais uma árvore enfeitada de orquídeas, bromélias e plantas.
É, nem tudo está perdido.

Estética

Estética

Segundo o dicionário Houaiss, uma das acepções de estética é: harmonia das formas e/ou das cores; beleza. Nesta região onde moro, se olharmos algumas construções isoladamente, não há o que reparar, mas quando as colocamos juntas com nossas calçadas, rede elétrica, faixas de propaganda, e tudo mais, é uma tristeza só.

A rede elétrica e seus penduricalhos, fios de telefone, tv a cabo, placas, e outros são um caso a parte. As fotos que ilustram estas observações dizem tudo.

Há 40 anos a então Light, hoje Eletropaulo, planejava enterrar toda a fiação da rede primária dos Jardins, Bela Vista, Cerqueira Cesar e outros bairros. Pode-se ver que não crescemos o que merecíamos, mesmo pagando bons impostos e contas de luz. Além disso hoje parece que as operadoras de tv a cabo passaram a fazer da rede elétrica seus depósitos de cabos para uso futuro. E quando a Eletropaulo troca ou muda de lugar um poste?

Me pergunto, será que só eu me incomodo com isso? Talvez por ser engenheiro eletricista? Ou será que o estado das nossas calçadas está tão ruim que as pessoas não conseguem levantar os olhos e ver o que está acima de suas cabeças? Ou será que a maioria não liga mesmo?

Cachorradas I

Cachorradas I

Quando criança e depois adolescente tive em casa diversos animais domésticos, dentre eles cães. Não lembro de ver pessoas levarem seus cães para fazerem suas necessidades na rua. Eles as faziam no quintal da casa, os mais treinados no cantinho próprio para tal e os outros, bem, davam mais trabalho, mas as coisas eram resolvidas no âmbito familiar, com um esguicho e uma vassoura. É verdade que naquela época morava-se principalmente em casas com quintal e quem morava em apartamento não tinha cachorro.

O tempo passou, as casas desapareceram substituídas por prédios, as pessoas substituíram filhos e netos por animais domésticos, principalmente cães, e as ruas e praças substituíram os quintais.

Enquanto eles eram poucos, a probabilidade de ser premiado com uma pisada na m… deixada pelo animalzinho de estimação era baixa. É claro que algumas pessoas parecem ser atraídas, talvez seja algo decorrente do odor imperceptível (pelo menos até pisada), ou então são realmente azaradas. Imagine que o animalzinho era um pastor alemão ou um bem nutrido labrador.

Nos dias atuais, os “com cães” aumentaram terrivelmente, e aqui nos Jardins, com esta alta densidade populacional, pode se imaginar o resto. Pior ainda quando se mora numa rua que toda vizinhança acha ótima para trazer cãezinhos para passeios matinais, após toda uma noite nos apartamentos. A rua se transforma num “bosteiro”, e danem-se todos os seus moradores.

Já se fez muita campanha para mudar o comportamento dos donos.Aqui na rua já se colocaram cartazes exortando os donos a recolherem os dejetos. Agora apela–se para os “cachorros”.Eis o texto do último cartaz:

“Senhor cachorro, não deixe seu dono evacuar na rua, caso isto aconteça recolha-o para o local adequado. A população agradece.”

Um pouco já se conseguiu. Agora boa parte deles carrega saquinhos de plástico para recolher os excrementos do animal, mas a maioria não deve ter entendido que a idéia era que eles levassem o saquinho para casa e lá os colocassem no seu lixo doméstico, que posteriormente seria levado pelos lixeiros. Então eles são largados na rua, em geral junto a um poste, ou qualquer outro lugar que seja simpático ao dono do animal. Mas e as mijadas nos postes, no portão, no elevador, no seu carro?

Os donos dos cães, em grande número parece, não percebem que vivem em comunidade e existe a necessidade de se respeitar o outro. Numa praça que conheço, onde existe um parquinho para as crianças, utilizam-se dos brinquedos como postes para os cães. E o mais engajado, joga o saquinho com excrementos, na lixeira de coleta seletiva, deve ser pelo plástico do saquinho.

Há muito a fazer em matéria de educação, e estamos nos Jardins. Esta não é a educação da escola, embora muitos queiram transferi-la para lá, é aquela que te faz respeitar os vizinhos, os idosos, os deficientes, os pedestres, os outros motoristas, as normas, as leis, etc.. Esta começa em casa e bem cedo.

Guias Rebaixadas

Guias Rebaixadas

No espírito do blog, vou comentar aqui sobre as guias rebaixadas para possibilitar a travessia de pedestres portadores de deficiência. Nesta região onde moro, deficientes não vejo muitos, mas idosos há em bom número, caminhando sozinhos ou acompanhados, com suas bengalas ou andadores e até conduzidos em suas cadeiras de rodas . Talvez os deficientes autônomos não sejam vistos porque com essas guias e sarjetas rebaixadas é melhor não se arriscar. De uma forma geral são exemplos de serviços mal feitos.

Em 1996 foi aprovada uma lei, que regulamentada pelo decreto nº 37.031, de 27 de agosto de 1997, que dispõe sobre o assunto. Transcrevo parte do decreto:

Art. 1º – O rebaixamento de guias e sarjetas de que trata o artigo 1º da Lei nº 12.117, de 28 de junho de 1996, será realizado em todas as esquinas e faixas de pedestres do Município de São Paulo, com a finalidade de possibilitar a travessia de pedestres portadores de deficiência.

Art. 2º – cabe à Secretaria da Habitação e desenvolvimento Urbano – SEHAB, através da Comissão Permanente de Acessibilidade – CPA, a elaboração de um Programa de Adequação de Vias Públicas, cuja finalidade será, no âmbito das atribuições da referida Comissão, coordenar e desenvolver plano de implantação de rebaixamento de guias e sarjetas, bem assim estabelecer padrões para a melhoria e adequação das condições de trânsito, acessibilidade e segurança nos logradouros públicos, tendo como prioritário o acesso a:

I – Terminais rodoviários e ferroviários;

II – Serviços de assistência à saúde;

III – Serviços educacionais;

IV – Praças e centros culturais;

V – Centros esportivos;

VI – Conjuntos habitacionais;

VII – Principais vias.

Art. 3º – Caberá à secretaria das Administrações Regionais – SAR a execução das obras necessárias ao cumprimento das disposições da Lei nº 12.177, de 28 de junho de 1996 e deste decreto.

….

Aqui nos Jardins, não sei exatamente quando, mas provavelmente numa véspera de eleição municipal, apareceram uns operários que saíram quebrando as esquinas para instalar as tais guias rebaixadas. Que tristeza, não havia critérios, nem projetos e provavelmente tudo que se disse aos operários deve ter sido: “nóis temos de fazer isto até dia tal, as marretas e cimento tão aí, virem-se!”. Resultado: existem algumas que até parecem e funcionam como rampas de acesso para deficientes, mas a grande maioria é apenas um arremedo de rampa, um belo exemplo de serviço mal feito.

Por que essas obras são sempre feitas assim? É obvio: dinheiro. Nossos gerentes públicos só pensam em fazer aquelas de investimento inicial mínimo. Não interessa se a manutenção futura vai acabar ficando muito cara, isto quem terá que resolver será outro gerente. Além disso, essa obra não é um investimento, é uma despesa e, portanto deve ter sido esquecida ou subestimada no orçamento do município, ou a receita foi gasta com outras “coisas” mais visíveis, ou pior, mais invisíveis.

Mas não é só isto que incomoda. Os operários seriam qualificados? Alguém explicou como deveriam ser as rampas? Alguém fiscalizou a execução do trabalho? Podiam ser bem feitas? Certamente nenhuma terá resposta afirmativa. Os operários devem ter sido recrutados entre aqueles que estavam dispostos a trabalhar pela “miséria” oferecida, e aí, esses em geral fingem que trabalham. Explicar como deve ser executada a tarefa, para que, ninguém vai fiscalizar. Fazer bem feito, para que, se nada é mesmo sério.

Recentemente começaram a aparecer guias rebaixadas decentes, como as feitas ao longo dos novos corredores de ônibus ou na reurbanização da região da Rua Joaquim Nabuco. É bem verdade que elas são parte de um projeto bem maior, pode se então ter um projeto detalhando a execução e seu custo melhor administrado. Mas a verdade é que ainda existe esperança.

O tempo passará, meus vizinhos de bairro e eu ficaremos mais velhos, as dificuldades para locomoção aumentarão. Até lá espero que nossos prefeitos destinem uma parte dos impostos que pagamos para melhorias de nosso bairro. Não pagamos impostos só para ajudar os quem não pagam, qualquer que seja a razão.

São Paulo 1960 x 2005

São Paulo 1960x2005

Olhando a foto que ilustra o post inicial do blog, lembrei-me que tinha uma foto, de quando estava começando a faculdade de engenharia em 1960, tirada do alto do edifício que fica na esquina da Av. Paulista com Av. Brigadeiro Luís Antonio. Fui procurá-la, escaneei, e ao vê-la enchendo toda tela do monitor dei me conta de como São Paulo cresceu, e todos seus problemas juntos. Fiz uma montagem com a foto de 1960 e a atual que foi tirada de uma posição parecida. O obelisco comemorativo da revolução de 1932 e a Oca estão lá, no centro das duas. Olhando os horizontes nas duas fotos se verá o que 45 anos fizeram com São Paulo. Acho que isto explica muita coisa, mas não justifica.

Contribuindo para melhorar a cidade em que vivo…

Contribuindo para melhorar a cidade em que vivo...

Sempre fui um pedestre. Meu contato com as mazelas da cidade sempre foi direto, uma calçada esburacada, uma esquina sem semáforo ou faixa de segurança, um motorista que “não está nem aí”, os restos dos passeios de inúmeros cãezinhos, uma poça d’água no ponto de ônibus, os entulhos da reforma na casa de alguém, e lista poderia continuar para encher esta página.
A informática acompanhou toda minha profissional. Aposentei-me mas não parei. Com os micro-computadores, sempre gostei de programação e de montar coisas, continuei trabalhando, com consultoria, serviços de manutenção para amigos e família, apoio aos filhos, etc. Veio a Internet e os horizontes se ampliaram.
Surgiram os blogs e então percebi que este poderia ser o caminho para contribuir para melhorar a cidade em que vivo.
Procurei na Internet as ferramentas que necessitava, registrei um domínio, e montei meu blog. E estou começando.
O que quero é mostrar o que encontro e com o que me incomodo e dizer o que penso sobre isto. Mas não será só isto…